21 partidos guineenses juntos contra a ″ditadura″ do Presidente José Mário Vaz | Guiné-Bissau | DW | 27.10.2017
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Guiné-Bissau

21 partidos guineenses juntos contra a "ditadura" do Presidente José Mário Vaz

O Coletivo dos Partidos Políticos Democráticos (CPPD) acusa o Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, de instalar um regime ditatorial no país.

Demonstration in Bissau (DW/F. Tchuma)

Foto de arquivo: Manifestação em Guiné Bissau contra o Presidente José Mario Vaz (2015)

Em Bissau, um coletivo constituído por 21 partidos guineenses, opositores ao regime do Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, iniciou nesta sexta-feira (27.10), uma série de ações para denunciar aquilo que chama de "ditadura" do Chefe do Estado.

Ouvir o áudio 01:56

21 partidos guineenses juntos contra a "ditadura"

O Coletivo dos Partidos Políticos Democráticos (CPPD) responsabilizou José Mário Vaz pelas "graves ruturas e a descredibilização de instituições" do Estado. O grupo acusou também o Presidente guineense de liderar "uma saga destrutiva", ao promover desentendimentos nos partidos e impedir a construção de consensos mesmo na comunidade internacional, parceira da Guiné-Bissau.

Democracia em perigo

Membros dos 21 partidos, militantes e simpatizantes reuniram-se no círculo eleitoral 24, composto por bairros situados junto ao centro de Bissau, para  exigir o fim da crise e o respeito pelas regras democráticas, contra a intenção do Presidente José Mário Vaz, de instalar um regime ditatorial na Guiné Bissau.

Guinea-Bissau Minister Agnelo Regala (DW/F. Tchumá)

"As pessoas estão conscientes de que a democracia está em perigo", Regala

O  presidente da União para a Mudança-UM, Angelo Regala, declarou que a união de forças é um sinal claro de que a ditadura não pode ter lugar. Regala vê no ato, que aconteceu a alguns metros da sede do Parlamento em Bissau, um bom sinal. "É um sinal de que as pessoas estão conscientes de que a democracia está em perigo e que é preciso de fato nos juntarmos e, em uníssono, dizermos que a ditadura não tem lugar na Guiné Bissau", disse o líder da UM.

Manifestação é ato de cidadania

De acordo com o líder do Movimento Democrático Guineense (MDG), Silvestre Alves, a adesão ao coletivo é, antes de mais, um dever de consciência de um cidadão que quer "salvar a democracia". "Não tenho outra solução, senão aderir à causa. O senhor Presidente tem uma leitura deficiente e descabida da Constituição. E está aí a impor algo que não tem utilidade", afirmou.

Protest Bissau (DW/B. Darame)

Manifestação em Bissau contra a crise política (2016)

Para o porta-voz do partido da Nova Democracia (ND), Ibriama Djaló, um dos deveres de chefe de Estado na democracia é garantir o que está na  Constituição e o normal funcionamento das Instituições. Djaló disse em entrevista à DW África que, enquanto ator político, não se pode permitir que esse grave precedente continue.  

Segundo a Agência Lusa, a mesma ação será organizada nos dias seguintes em outros locais de Bissau. O grupo de partidos também planeia realizar "um megacomício" na capital guineense, em data a anunciar.

Em conferência de imprensa, Nuno Nabian, candidato derrotado na segunda volta nas eleições presidenciais de 2014, e presidente da Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), avisou que "ninguém terá autoridade de impedir a realização das manifestações programadas".

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