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Moçambique

12 mil alunos podem falhar exames devido a confrontos no centro de Moçambique

Confrontos entre forças governamentais e homens armados da RENAMO levaram ao encerramento de mais de meia centena de escolas no centro do país. Muitos comerciantes também fecharam as portas.

Kinder in einer Grundschule in Chimoio Provinz Manica Mosambik (DW/B.Jequete)

Exames em Chimoio, província moçambicana de Manica

Ao todo, 53 escolas foram encerradas por causa dos confrontos entre os homens armados da RENAMO, o maior partido da oposição, e as Forças de Defesa e Segurança, nos distritos de Báruè, Tambara, Mossorize e Manica.

Na província, 12 mil alunos estão em risco de falhar os exames finais, que começaram esta semana. A agravar a situação, um vendaval em Chimoio destruiu quatro escolas do ensino primário.

Os alunos temem pelo seu futuro. Falaram à DW África sob a condição de anonimato, com medo de represálias. "Nós estamos a pedir ao sector de Educação e Desenvolvimento Humano que procure formas de nos enquadrar. Não indo à escola e nem sendo submetidos aos exames finais que futuro teremos?", questiona um dos estudantes.

Pais apelam à paz e autoridades procuram alternativas

Os encarregados de educação também estão preocupados e lamentam que os seus educandos tenham perdido tantas aulas por causa dos confrontos. Também pediram para não serem identificados.

"Em nome de muitos pais e encarregados de educação, cujos filhos estão nesta situação, queremos implorar pela paz. Porque gastámos muito para essas crianças entrarem na escola até frequentarem a classe que cada um possui. Está a doer-nos muito, mesmo."

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12 mil alunos podem falhar exames devido a confrontos no centro de Moçambique

Para o diretor provincial da Educação e Desenvolvimento Humano, Estêvão Rupela, é preciso garantir que os alunos fazem os exames.

"Nós acreditamos que o conflito armado em algumas escolas, como, por exemplo, no distrito de Tambara, aconteceu há quase um mês, então esses alunos não podem ficar prejudicados”, sublinha.

O responsável garante que as autoridades estão "a fazer um trabalho de sensibilização e mobilização dessas crianças que estão nesta situação, de modo a transferi-las para escolas seguras onde possam realizar os exames de acordo com as competências adquiridas."

Segundo Estêvão Rupela, os alunos que estão em centros de acomodação farão os exames nesses centros.

Comerciantes fecham portas

Os exames finais arrancaram na segunda-feira (14.11.) à escala nacional. Na província de Manica, mais de 254 mil alunos da segunda, quinta, sétima, décima e décima segunda classes serão submetidos às provas. Os alunos insistem que é preciso que o Governo e RENAMO cheguem a acordo: "Pedimos ao presidente da República para conversar com o líder Dhlakama, para pôr fim aos confrontos. Nós queremos a paz em Moçambique."

Mas a paz tarda a chegar. Muitos comerciantes têm sido obrigados a fechar as portas, pelo menos temporariamente. Alguns estabelecimentos comerciais ficaram destruídos nos distritos de Báruè, Mossorize, Manica  e Tambara em ataques de homens armados.

Segundo o diretor provincial da Indústria e Comércio em Manica, Ronaldo Pedro Naico, é difícil quantificar o número de estabelecimentos que encerram. "O comércio está sendo feito de forma ambulatória, não taxativo”, explica. "As pessoas fecham os estabelecimentos na altura dos confrontos e voltam a reabrir quando a região volta a estar calma. O que registámos no mês de junho era péssimo, mas, de lá para cá, o cenário melhorou bastante. Por isso, fica difícil avançar dados coerentes”.

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